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08.01.2012

Análise mórfica da lingua portuguesa

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  • Raiz – morfema lexical originário, irredutível, geralmente monossilábico, que contém o núcleo significativo comum às palavras cognatas ou de mesma família. Por sofrerem muitas alterações e serem de difícil delimitação, as análises trabalham basicamente com os radicais.
  • Radical – morfema lexical que se opõe aos outros de derivação e flexão numa palavra (galo, galinha, galináceo). Alguns vocábulos são constituídos apenas por radical (lápis, mar, hoje). Na prática, pode-se fazer distinção entre diversos níveis de radicais, sendo o radical primário a raiz (desregularizar – desregulariz > regulariz > regul > reg – são 4 níveis de radicais ditos primário, secundário …)
  • Vogal temática – vogal que, em alguns casos, agrega-se ao radical, preparando-o para receber as desinências. Nos verbos, indicam a conjugação verbal (1ª -a, 2ª -e, 3ª -i), e são átonas (-a, -e, -o) nos nomes.
  • Tema – união de radical mais vogal temática. Nos nomes, o tema é mais evidente em derivados de verbos (caça-dor / ferve-nte)
Observação
formas atemáticas – terminadas em cons. ou vog. tônica (mar, café), constituem-se apenas de radical.
  • Desinências – apóiam-se ao radical para marcar as flexões gramaticais. Podem ser nominais ou verbais:
    • nominais – indicam flexões de gênero e número dos nomes (gat-a e gato-s)
    • verbais – indicam tempo e modo (modo-temporais) ou pessoa e número (número-pessoais) dos verbos.
  • Afixos – morfemas derivacionais (gramaticais) agregados ao radical para formar palavras novas.
    • prefixo – antes do radical (infeliz)
    • sufixo – depois do radical (felizmente)
  • Vogal e consoante de ligação – elementos mórficos insignificativos que surgem para facilitar ou até possibilitar a pronúncia de determinadas construções (silv-í-cola, pe-z-inho, pobre-t-ão, gas-eificar, rat-i-cida, rod-o-via)
  • Alomorfes – são as variações que os morfemas sofrem (amaria – amaríeis; feliz – felicidade)
Observações
  • Cegalla divide os elementos estruturais: raiz / radical / tema (elementos básicos e significativos) + afixos / desinências / VT (elementos modificadores da signficação dos primeiros) + vogal e consoante de ligação (elementos de ligação, eufônicos, não são morfemas)
  • nomes terminados por r, z, s (oxítonas) ou l apresentam vogal temática só no plural (anima -i-s)
  • grau não é flexão, por que os elementos que o caracterizam não são desinências. Os sufixos usados na construção de graus podem sofrer flexões (menin-inh-a-s)

1. Morfemas

Unidades mínimas de significação, integrantes da palavra, que não admitem subdivisão em unidades significativas menores. Quanto à significação, podem ser:

  • morfemas lexicais (lexemas ou semantemas) de significação externa, série aberta.
  • morfemas gramaticais (gramemas ou formantes) de significação interna, relacionados ao universo lingüístico, série fechada.

Resumo esquemático:

  • Vogais temáticas

Conj.

VT

VT alom.

Exemplos

1a. A E / O falei, falou (pret. perf. Ind.)
2a. E I temia (pret. imp.. Ind.), temido (Part.)
3a. I E partes, parte, partem (pres. Ind.)
Observações
  • 1a. pessoa do singular do presente do Indicativo e todo o presente do Subjuntivo têm VT = ø
  • o elemento o da 1a. pessoa do singular do presente do Indicativo é DNP
  • os elementos e e a do presente do subjuntivo são DMT
  • DMT Indicativo

Tempo

DMT

DMT alom.

Exemplos

Pres. amo, amas
Pretérito perfeito amei, amaste
Imp. (1a. conj.) VA VE (vós) amava, amáveis
Imp (2ª e 3ª conj.) A E (vós) temia, temíeis
+-que-perf RA (át.) RE (vós) amara, amaríeis
Futuro Pres. RA (tôn.) RE (eu, nós, vós) amará, amarei
Futuro Prét. RIA RIE (vós) amaria, amaríeis
  • DMT Subjuntivo

Tempo

DMT

DMT alom.

Exemplos

Pres. (1ª conj.) E ame, ames
Pres. (2ª conj.) A tema, parta
Imp. SSE amasse, partisse
Futuro R amar, amares
  • DNP Geral

Pessoa

DNP

DNP alom.

Exemplos

1ª sing. O / ø I / U sei, vou, sou
2ª sing. S ES amares, andares
3ª sing. ø ama, temeria
1ª pl. MOS amássemos, tememo s
2ª pl. IS DES amais, amardes
3ª pl. M EM, nasalidade + O amarem, amarão
  • DNP Pretérito perfeito Indicativo

Pessoa

DNP

DNP alom.

Exemplos

1a. sing. I ø amei, temi, fiz, pus
2a. sing. STE amaste, temeste
3a. sing. U ø amou, temeu, fez, pôs
1a. pl. MOS amamos, tememos
2a. pl. STES amastes, temestes
3a. pl. RAM amaram, temeram
  • Formas nominais

 

DMT

DMT alom.

Exemplos

Infinitivo R amar, temer, partir
Gerúndio NDO amando, vendendo
Particípio DO TO, STO, SO, etc. amado, feito, visto
Observações
  • DNP para pretérito perfeito do Indicativo é cumulativa (indica também modo e tempo)
  • DNP alomórfica no pretérito perfeito é marcada pela sua ausência na 1ª e 3ª pessoas do singular (fiz, fez, pus, pôs, disse, trouxe)

2. Significado das palavras através dos elementos mórficos

Pode-se identificar o significado de algumas palavras através de seus elementos estruturadores. Assim, o conhecimento de palavras cognatas auxilia não só na delimitação dos elementos mórficos, mas também na descoberta do significado de um vocábulo desconhecido.

Aqui seguem algumas palavras com seus elementos formadores e sua significação. Entretanto, a quantidade de prefixos, sufixos e radicais é grande e seus significados também múltiplos, merecendo um estudo mais aprofundado.

  • Prefixos:
ambi duplicidade ambíguo, ambidestro
bene/bem/ben bem, muito bom beneficente, benfeitor
cis do lado de cá, aquém cisplatino
de de cima para baixo decrescer, declive
justa ao lado justaposição
ob em frente obstáculo
per movimento através perfurar, percorrer
pro para frente, em lugar de progresso, pronome, prólogo
sesqui um e meio sesquicentenário
vice/vis no lugar de, inferior a vice-presidente, visconde
anfi em torno, duplicidade anfiteatro, anfíbio
arqui/arc/arque/arce superioridade arcebispo, arcanjo, arqueduque
catá de cima para baixo catálogo
dis dificuldade, mau estado disenteria, dispnéia
endo/end interior, movimento para dentro endovenoso
epi superior, posterioridade epiderme, epitáfio, epílogo
eu/ev bem, bom eufonia, evangelho, eufemismo
hipó inferior, escassez hipocrisia, hipodérmico
sin/sim/si simultaneidade, companhia sinfonia, sílaba
  • Sufixos:

Por sua natureza formadora, podem ser nominais, verbais e adverbiais.

  • Nominais (substantivos e adjetivos):

agente, profissão – vendedor, inspetor, padeiro, manobrista, bibliotecário

ação ou resultado de ação – martelada, aprendizagem, matança, casamento, formatura

qualidade, estado – maldade, patriotismo, surdez, delicadeza, loucura

doença, inflamação – cefaléia, anemia, apendic ite, tuberculose

lugar – oratório, bebedouro, principado, orfanato, padaria

ciência, técnica, doutrina – geografia, estética, cristianismo

feito de, parece com – argênteo, ósseo, aquilino

coleção, aglomeração – cafezal, arvoredo, cabeleira

aumentativo – bocarra, cabeçorra, casarão, homenzarrão

diminutivo – riacho, viela, camarim, portinhola, homúnculo

  • Verbais:

verbos freqüentativos (que se repete) – espicaçar, pestanejar

verbos diminutivos (ação diminutiva) – petiscar, chuviscar, pinicar

verbos incoativos (início de ação ou passagem para novo estado ou qualidade) – amanhecer, florescer

verbos causativos (ação que deve ser praticada ou dar certa qualidade a uma coisa) – canalizar, debilitar, esquentar

  • Adverbiais:

-mente – felizmente, bondosamente

  • Radicais:

O significado de alguns radicais.

  • 1o. elemento:

acrópole, acrofobia – alto

agricultura – campo

anemômetro – vento

apicultura – abelha

asterisco, asteróide – estrela

cacofonia – mau

caligrafia – belo

eneágono – nove

equivalência – igual

filologia, filarmônica – amigo

fisionomia, fisiologia – natureza

fotofobia, fotosfera – fogo/luz

heterossexual, heterogêneo – outro

isósceles – igual

locomotiva – lugar

megalomaníaco – grande

misantropo – ódio

mitologia – fábula

necropsia – morto

onomatopéia – nome

ornitologia – ave

oxítono – agudo/penetrante

pan-americano – todos

patologia – sentimento/doença

peleografia – antigo

pirotecnia – fogo

pisciforme – peixe

plutocracia – riqueza

pneumático – ar/sopro

quiromancia – mão

retângulo – reto

tipografia – figura/marca

  • 2o. elemento:

anagrama – escrita/letra

antropofagia – ato de comer

astronomia – lei/regra

autônomo, metrônomo – que regula

barítono, monótono – tensão/tom

bibliofilia – amizade

cartomancia – adivinhação

centrífugo – que foge ou faz fugir

demagogo – que conduz/leva

democracia – poder

diálogo, psicólogo – palavra/estudo

frutífero – que produz ou faz

helicóptero – asa

heterodoxo – que opina

heterogêneo – que gera

lobotomia – corte/divisão

microscópio – examinar/ver

monarca – que comanda

neurastenia – debilidade

nevralgia – dor

ovíparo – que produz

xenofobia, hidrofobia – ódio/temor

3. Processos de formação de palavras

As palavras estão em constante processo de evolução, tornando a língua um fenômeno vivo que acompanha o homem. Alguns vocábulos caem em desuso (arcaísmos), outros nascem (neologismos) e muitos mudam de significado com o passar do tempo.

Em Língua Portuguesa, em função da estruturação e origem das palavras, pode-se chegar à seguinte divisão:

  • palavras primitivas – não derivam de outras (casa, flor)
  • palavras derivadas – derivam de outras (casebre, florzinha)
  • palavras simples – só possuem um radical (couve, flor)
  • palavras compostas – possuem mais de um radical (couve-flor, aguardente)

Para a formação das palavras portuguesas, é necessário o conhecimento dos seguintes processos de formação:

  • Composição – junção de radicais. São dois tipos de composição, em função de ter havido ou não alteração fonética.
    • justaposição – sem alteração fonética (girassol, sexta-feira)
    • aglutinação – alteração fonética, com perda de elementos (planalto, pernalta). Gera perda da delimitação vocabular e a existência de um único acento fônico
  • Derivação – palavra primitiva (1 radical) acrescida, geralmente, de afixos. São cinco tipos de derivação.
    • prefixal – acréscimo de prefixo à palavra primitiva (in-feliz, des-leal)
    • sufixal – acréscimo de sufixo à palavra primitiva (feliz-mente, leal-dade)
    • parassintética ou parassíntese – acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo, ao mesmo tempo, à palavra primitiva (en+surdo+ecer / a+benção+ado / en+forca+ar). Por esse processo se forma essencialmente verbos, de base substantiva ou adjetiva; mas há parassintéticos de outras classes (subterrâneo, desnaturado)
Observação
se com a retirada do prefixo ou do sufixo não existir aquela palavra na língua, houve parassíntese (infeliz existe e felizmente existe, logo houve prefixação e sufixação em infelizmente; ensurde não existe e surdecer também não existe, logo ensurdecer foi formada por parassíntese)
  • regressiva ou deverbal – redução da palavra primitiva (frangão > frango gajão > gajo, rosmaninho > rosmano, sarampão > sarampo, delegado >delega, flagrante > flagra, comunista>comuna). Cria substantivos, que denotam ação, derivados de verbos, daí ser chamado também derivação deverbal (amparo, choro, vôo, corte, destaque, conserva, fala, pesca, visita, denúncia etc.).
Observação
para determinar se a palavra primitiva é o verbo ou o substantivo cognato, usa-se o seguinte critério: substantivo denotando ação constitui-se em palavra derivada do verbo, mas se o substantivo denotar objeto ou substância será primitivo (ajudar > ajuda, estudar > estudo ≠ planta > plantar, âncora > ancorar)
  • imprópria ou conversão – alteração da classe gramatical da palavra primitiva („o jantar“ – de verbo para substantivo, „é um judas“ – de substantivo próprio a comum, damasco por Damasco)
  • Hibridismo – são palavras compostas, ou derivadas, constituídas por elementos originários de línguas diferentes (automóvel e monóculo- gr e lat / sociologia, bígamo, bicicleta – lat e gr / alcalóide, alcoômetro – ár. e gr. / caiporismo – tupi e gr. / bananal – afric e lat. / sambódromo – afric e gr / burocracia – fran e gr)
  • Onomatopéia – reprodução imitativa de sons (pingue-pingue, zunzum, miau, zinzizular)
  • Abreviação vocabular – redução da palavra até o limite de sua compreensão (metrô, moto, pneu, extra)
  • Siglonimização – formação de siglas, utilizando as letras iniciais de uma seqüência de palavras (Academia Brasileira de Letras – ABL). A partir de siglas, formam-se outras palavras também (aidético, petista, uergiano)

 

 

 

Ortografia da lingua portuguesa

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1. Algumas regras ortográficas

  • Escreve -se com S e não com C/Ç as palavras substantivadas derivadas de verbos com radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent.

Ex.: pretender – pretensão / expandir – expansão / ascender – ascensão / inverter – inversão / aspergir aspersão / submergir – submersão / divertir – diversão / impelir – impulsivo / compelir – compulsório / repelir – repulsa / recorrer – recurso / discorrer – discurso / sentir – sensível / consentir – consensual

  • Escreve -se com S e não com Z
    • nos sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é substantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos.

Ex.: freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, princesa, etc.

  • nos sufixos gregos: ase, ese, ise e ose.

Ex.: catequese, metamorfose.

  • nas formas verbais pôr e querer.

Ex.: pôs, pus, quisera, quis, quiseste.

  • nomes derivados de verbos com radicais terminados em d.

Ex.: aludir – alusão / decidir – decisão / empreender – empresa / difundir – difusão

  • no diminutivos cujos radicais terminam com s

Ex.: Luís – Luisinho / Rosa – Rosinha / lápis – lapisinho

  • após ditongos

Ex.: coisa, pausa, pouso

  • em verbos derivados de nomes cujo radical termina com s.

Ex.: anális(e) + ar – analisar / pesquis(a) + ar – pesquisar

  • Escreve-se com SS e não com C e Ç.
    • os nomes derivados dos verbos cujos radicais terminem em gred, ced, prim ou com verbos terminados por tir ou meter

Ex.: agredir – agressivo / imprimir – impressão / admitir – admissão / ceder – cessão / exceder – excesso / percutir – percussão / regredir – regressão / oprimir – opressão / comprometer – compromisso / submeter – submissão

  • quando o prefixo termina com vogal que se junta com a palavra iniciada por s

Ex.: a + simétrico – assimétrico / re + surgir – ressurgir

  • no pretérito imperfeito simples do subjuntivo

Ex.: ficasse, falasse

  • Escreve -se com C ou Ç e não com S e SS.
    • nos vocábulos de origem árabe

cetim, açucena, açúcar

  • nos vocábulos de origem tupi, africana ou exótica

Ex.: cipó, Juçara, caçula, cachaça, cacique

  • nos sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu.

Ex.: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço, esperança, carapuça, dentuço

  • nomes derivados do verbo ter.

Ex.: abster – abstenção / deter – detenção / ater – atenção / reter – retenção

  • após ditongos

Ex.: foice, coice, traição

  • palavras derivadas de outras terminadas em te, to(r)

Ex.: marte – marciano / infrator – infração / absorto – absorção

  • Escreve -se com Z e não com S.
    • nos sufixos ez e eza das palavras derivadas de adjetivo

Ex.: macio – maciez / rico – riqueza

  • nos sufixos izar (desde que o radical da palavra de origem não termine com s)

Ex.: final – finalizar / concreto – concretizar

  • como consoante de ligação se o radical não terminar com s.

Ex.: pé + inho – pezinho / café + al – cafezal ≠ lápis + inho – lapisinho

  • Escreve -se com G e não com J
    • nas palavras de origem grega ou árabe

Ex.: tigela, girafa, gesso.

  • estrangeirismo, cuja letra G é originária.

Ex.: sargento, gim.

  • nas terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com poucas exceções)

Ex.: imagem, vertigem, penugem, bege, foge.

Observação
Exceção: pajem
  • nas terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio.

Ex.: sufrágio, sortilégio, litígio, relógio, refúgio.

  • nos verbos terminados em ger e gir.

Ex.: eleger, mugir.

  • depois da letra “r” com poucas exceções.

emergir, surgir.

  • depois da letra a, desde que não seja radical terminado com j.

Ex.: ágil, agente.

  • Escreve -se com J e não com G
    • nas palavras de origem latinas

Ex.: jeito, majestade, hoje.

  • nas palavras de origem árabe, africana ou exótica.

Ex.: alforje, jibóia, manjerona.

  • nas palavras terminada com aje.

Ex.: laje, ultraje

  • Escreve -se com X e não com CH.
    • nas palavras de origem tupi, africana ou exótica.

Ex. abacaxi, muxoxo, xucro.

  • nas palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J).

Ex.: xampu, lagartixa.

  • depois de ditongo.

Ex.: frouxo, feixe.

  • depois de en.

Ex.: enxurrada, enxoval

Observação
Exceção: quando a palavra de origem não derive de outra iniciada com ch – Cheio – enchente)
  • Escreve -se com CH e não com X.

Nas palavras de origem estrangeira

Ex.: chave, chumbo, chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.

2. Curiosidades ortográficas

2.1. A fim ou afim?

Escrevemos afim, quando queremos dizer semelhante. (O gosto dela era afim ao da turma.)

Escrevemos a fim (de), quando queremos indicar finalidade. (Veio a fim de conhecer os parentes. / Pensemos bastante, a fim de que respondamos certo. / Ela não está a fim do rapaz.)

2.2. A par ou ao par?

A expressão ao par significa sem ágio no câmbio. Portanto, se quisermos utilizar esse tipo de expressão, significando ciente, deveremos escrever a par.

Fiquei a par dos fatos. / A moça não está a par do assunto.

2.3. A cerca de, acerca de ou há cerca de?

A cerca de significa a uma distância. (Teresópolis fica a cerca de uma hora de carro do Rio.)

Acerca de – significa sobre. (Conversamos acerca de política.)

Há cerca de – significa que faz ou existe(m) aproximadamente. (Mudei-me para este apartamento há cerca de oito anos. / Há cerca de doze mil candidatos, concorrendo às vagas.)

2.4. Ao encontro de ou de encontro a?

Ao encontro de – quer dizer favorável a, para junto de. (Vamos ao encontro dos nossos amigos. / Isso vem ao encontro dos anseios da turma.)

De encontro a – quer dizer contra. (Um automóvel foi de encontro a outro. / Este ato desagradou aos funcionários, porque veio de encontro às suas aspirações.)

2.5. Há ou a?

Quando nos referimos a um determinado espaço de tempo, podemos escrever há ou a, nas seguintes situações:

Há – quando o espaço de tempo já tiver decorrido. (Ela saiu há dez minutos.)

A – quando o espaço de tempo ainda não transcorreu. (Ela voltará daqui a dez minutos.)

2.6. Haver ou ter?

Embora usado largamente na fala diária, a gramática não aceita a substituição do verbo haver pelo ter. Deve-se dizer, portanto, não havia mais leite na padaria.

2.7. Se não ou senão?

Emprega-se o primeiro, quando o se pode ser substituído por caso ou na hipótese de que.

Se não chover, viajarei amanhã (= caso não chova – ou na hipótese de que não chova, viajarei amanhã).

Se não se tratar dessa alternativa, a expressão sempre se escreverá com uma só palavra: senão.

Vá de uma vez, senão você vai se atrasar. (senão = caso contrário). / Nada mais havia a fazer senão conformar-se com a situação (senão = a não ser). / „As pedras achadas pelo bandeirante não eram esmeraldas, senão turmalinas, puras turmalinas“ (senão = mas). / Não havia um senão naquele rapaz. (senão = defeito).

2.8. Haja vista ou haja visto?

Apenas a primeira opção é correta, porque a palavra „vista“, nessa expressão, é invariável.

Haja vista o trágico acontecimento… (hajam vista os acontecimentos…)

2.9. Em vez de ou ao invés de?

A expressão em vez de significa em lugar de. (Hoje, Pedro foi em vez de Paulo. / Em vez de você, vou eu para Petrópolis.)

A expressão ao invés de significa ao contrário de. (Ao invés de proteger, resolveu não assumir. / Ao invés de melhorar, sua atitude piorou a situação.)

3. Ortoépia ou ortoepia

Ocupa-se da boa pronunciação das palavras, no ato da fala.

  • E ou I – confessionário, digladiar, anteontem, pontiagudo, irrequieto, dentifrício, empecilho, periquito, páreo, creolina, disenteria, irrequieto, lacrimogêneo, seriema, umedecer, Ifigênia
  • O ou U – tossir, glóbulo, botijão, engolir, goela, cutia, bueiro, jabuticaba, lombriga, poleiro, rebuliço, cumbuca, lóbulo, tábua, tabuada
  • J ou G – jerico, cafajeste, rabugento, tigela, bugiganga, ojeriza, jérsei, sarjeta, vigência, injeção, sugestão, gergelim, herege
  • X ou CH – muxoxo, capacho, mexilhão, elixir, xampu, graxa, broche, enxoval, laxante, atarraxar, caxumba
  • C ou Ç – geringonça, almaço, facínora, miçanga, cobiça
  • Com S – ânsia, ansioso, ascensão, compreensão, dissensão, hortênsia, obsessão, pretensioso, recenseamento, seara, Sintra, Elisa, Sousa, Teresa
  • Com SS – admissão, alvíssaras, arremessar, asseio, concessão, escassear, fossa, fosso, massapê, possessão, potassa, repercussão, sanguessuga, vicissitude
  • Com SC/SÇ – abscesso, abscissa, apascentar, aquiescer, ascensão, condescender, cônscio, convalescente, efervescência, enrubescer, fascinante, imprescindível, intumescer, miscelânea, obsceno, oscilar, remanescente, rescindir, suscetível, vísceras
  • Com XC – exceção, exceder, excelente, excepcional, excesso, exceto, excitar
  • Com Z – abalizado, agonizar, algazarra, aneizinhos, aprazível, aspereza, atroz, baliza, cafuzo, catequizar, deslize, destreza, escassez, lambuzar, Luzia, Muniz, prazenteiro, preconizar, regozijo, revezar, rijeza, tenaz, tez, vazar
  • Outras palavras que merecem atenção: destilaria, hilaridade, impigem, Manuel, Filipe, Joaquim, secessão, buço, granizo, esplêndido, feixe, alfazema, honradez, lapisinho, baliza, prazerosamente, anchova, cochicho, privilégio, berinjela, pichação, lambujem, sinusite, seringa, ogiva, cerzir, convalescença, mormaço, obcecado, rechaçar, ruço (=grisalho), terçol
  • Timbre aberto – badejo, coeso, grelha, ileso, obeso, obsoleto, coldre, dolo, molho (feixe, conjunto), piloro
  • Timbre fechado – cerda, escaravelho, reses, algoz, colmeia, crosta, molho (caldo)

4. Significado das palavras

Para estudarmos o significado das palavras devemos conhecer os sinônimos, antônimos, homônimos e parônimos.

  • Palavras sinônimas – duas ou mais palavras identificam-se exatamente ou aproximadamente quanto ao significado. As que se identificam exatamente se dizem sinônimas perfeitas (cara e rosto). As que se identificam por aproximadamente se dizem sinônimas imperfeitas (esperar e aguardar).
  • Palavras antônimas – duas ou mais palavras têm significados contrários, como amor e ódio vitorioso e derrotado
  • Palavras homônimas – duas ou mais palavras apresentam identidade de sons ou de forma, mas de significado diferente.

As palavras homônimas se apresentam como:

  • perfeitas – mesma grafia e mesma pronúncia, mas com classes diferentes

Ex.: caminho (substantivo) e caminho (do verbo caminhar) / cedo (advérbio) e cedo (do verbo ceder) / for (do verbo ser) e for (do verbo ir) / livre (adjetivo) e livre (do verbo livrar) / são (adjetivo) e são (do verbo ser) / serrar (substantivo) e serra (do verbo serrar)

  • homógrafas – mesma grafia e pronúncia diferente

Ex.: colher (substantivo) e colher (do verbo colher) / começo (substantivo) e começo (do verbo começar) / gelo (substantivo) e gelo (do verbo gelar) / torre (substantivo) e torre (verbo torrar)

  • homófonas – grafia diferente e mesma pronúncia

Ex.: acender (pôr fogo) e ascender (subir) / acento (tonicidade de palavras) e assento (lugar para sentar-se) / apreçar (avaliar preços) e apressar (acelerar) / caçar (perseguição e morte de seres vivos) e cassar (anular) / cela (quarto pequeno), sela (arreio de animais) e sela (do verbo selar) / cerrar (fechar) e serrar (cortar) / cessão (doação), seção (divisão) e sessão (tempo de duração de uma apresentação ou espetáculo) / concerto (apresentação musical) e conserto (arrumação) / coser (costurar) e cozer (cozinhar) / sinto (do verbo sentir) e cinto (objeto de vestuário) / taxa (imposto) e tacha (prego pequeno)

Observação
não se deve confundir os homônimos perfeitos com o conceito de polissemia em que as palavras têm mesma grafia, som e classe (ponto de ônibus, ponto final, ponto de vista, ponto de encontro etc.)
  • Palavras parônimas – duas ou mais palavras quando apresentam grafia e pronúncia parecidas, mas significado diferente.

Ex.: área (superfície) e ária (melodia) / comprimento (extensão) e cumprimento (saudação) / deferir (conceder) e diferir (adiar) / descrição (ato de descrever) e discrição (reserva em atos e atitudes) / despercebido (desatento) e desapercebido (despreparado) / emergir (vir a tona, despontar) e imergir (mergulhar) / emigrante (quem sai voluntariamente de seu próprio país para se estabelecer em outro) e imigrante (quem entra em outro país a fim de se estabelecer) / eminente (destacado, elevado) e iminente (prestes a acontecer) / fla grante (evidente) e fragrante (perfumado, aromático) / fluir (correr em estado fluido ou com abundância) e fruir (desfrutar, aproveitar) / inflação (desvalorização da moeda) e infração (violação da lei) / infringir (transgredir) e infligir (aplicar) / ratificar (confirmar) e retificar (corrigir) / tráfego (trânsito de veículos em vias públicas) e tráfico (comércio desonesto ou ilícito) / vultoso (que faz vulto, volumoso ou de grande importância) e vultuoso (acometido de congestão da face)

5. Acentuação gráfica

  • Prosódia
    • São oxítonas:

cateter, Cister, condor, masseter, mister (=necessário), negus (soberano etíope), Nobel, obus (peça de artilharia), novel (novato), ruim (hiato), sutil, ureter, xerox

  • São paroxítonas:

alanos (povo bárbaro), alcácer (fortaleza), ambrosia (manjar delicioso), avaro, avito, aziago, barbaria, batavo (holandês), caracteres, celtiberos, cartomancia, ciclope, decano, diatribe (crítica), edito (lei, decreto), efebo (rapaz que chegou à puberdade), estrupido (grande estrondo), êxul (exilado), filantropo, fortuito (ditongo), gratuito (ditongo), homizio (refúgio), hosana, ibero, imbele (não belicoso), inaudito, látex, libido, luzidio, Madagáscar, maquinaria, matula (súcia; farnel), mercancia (mercadoria), misantropo, necropsia, nenúfar (planta), Normandia, onagro (jumento), ônix, opimo (excelente, abundante), penedia (rochedo), policromo, poliglota, pudico, quiromancia, recorde, refrega (peleja), rócio (orgulho), rubrica, ubíquo

  • São proparoxítonas:

ádvena (forasteiro), aeródromo, aerólito, ágape (refeição dos antigos), álacre, álcali, alcíone, amálgama, anátema, andrógino, anêmona, antífona, antífrase, antístrofe, areópago, aríete, arquétipo, azáfama, bátega, bávaro, bímano, bólido (e), brâmane, cérbero, crisântemo, édito (ordem judicial), égide, elétrodo, etíope (hiato), fagócito, férula, gárrulo, hégira (j), idólatra, ímprobo, ínclito, ínterim, leucócito, lêvedo, ômega, périplo, plêiade, prófugo, protótipo, quadrúmano, revérbero, sátrapa, trânsfuga, vermífugo, zéfiro, zênite.

  • Admitem dupla prosódia:

acróbata ou acrobata, anídrido ou anidrido, Bálcãs ou Balcãs, hieróglifo ou hieroglifo, homília ou homilia, Oceânia ou Oceania, ortoépia ou ortoepia, projétil ou projetil, réptil ou reptil, sáfari ou safari, sóror ou soror, homília ou homilia, zângão ou zangão.

  • Palavras átonas
    • Monossílabos – artigos (combinados ou não com preposições) / pronomes pessoais oblíquos átonos e pronomes relativos / certas preposições (a, de, em, com, por, sem, sem, sob, para) e suas combinações com artigo / certas conjunções (e, nem, ou, mas, que, se) / formas de tratamento (dom, frei, são…)
    • Dissílabos – preposição para, conjunções como e porque, partícula pelo (a/s)
  • Regras de acentuação

Acentuam-se:

  • Monossílabos tônicos terminados em:
    • a(s) – lá, cá, já
    • e(s) – pé, mês, fé
    • o(s) – pó, só, nós
Observação
O monossílabo „que“ recebe acento circunflexo quando substantivado ou em final de frase, já que se torna palavra tônica em tais situações – Ex.: A moça tem um quê especial. / Você não foi à festa por quê? / Estava rindo de quê?
  • Oxítonos terminados em:
    • a(s) – Pará, sofás
    • e(s) – você, cafés
    • o(s) – avô, paletós
    • em, ens – ninguém, armazéns
    • Paroxítonos terminados em:
      • ão(s), ã(s) – órfãos, órfãs
      • ei(s) – jóquei, fáceis
      • i(s) – júri, lápis
      • us – vírus
      • um, uns – álbum, álbuns
      • r – revólver
      • x – tórax
      • n / ons – hífen, prótons
      • l – fácil
      • ps – bíceps
      • ditongos crescentes seguidos ou não de S – ginásio, mágoa, áreas
      • Proparoxítonos – todos são acentuados
      • Ditongos abertos em monossílabos tônicos e oxítonas
        • ói(s) – dói, herói(s)
        • éi(s) – réis, papéis
        • éu(s) – céu(s), troféu(s)
Observação
A nova reforma ortográfica excluiu dessa regra as palavras paroxítonas com esses ditongos abertos tônicos. Portanto NÃO são mais acentuadas palavras como jiboia, apoia (verbo apoiar), ideia, epopeia e assembleia.
  • I e U, seguidos ou não de S, tônicos em hiato com a vogal anterior, sozinhos na sílaba ou seguidos de S – saúde, egoísmo ≠ juiz, ruim

Se o I destes casos vier seguido de NH não será acentuado – rainha, tainha

Observação
A nova reforma ortográfica excluiu dessa regra o caso de I e U separam-se de um ditongo anterior, porque não há hiato efetivamente (uma vez que não se configura a situação de vogal + vogal e sim semivogal + vogal). Portanto NÃO são mais acentuadas palavras como feiura, baiuca e Bocaiuva.
  • Acento diferencial aparece nas seguintes situações:
    • pôr (verbo) X por (prep.)
    • pôde (pretérito perf) X pode (presente do indicativo)
    • ter e vir na 3ª pess. plural, bem como em verbos derivados, recebem acento (ele tem X eles têm / ele vem X eles vêm / ele contém X eles contêm / ele provém X eles provêm)
  Observação
  A nova reforma ortográfica aboliu os demais casos de acento diferencial. Portanto NÃO são mais acentuadas palavras como para (do verbo parar), pelo / pelas / pela (do verbo pelar), pelo(s) (cabelo, penugem), pera (fruta), polo(s) (jogo ou extremidade).
  Observações
 
  • A nova reforma ortográfica aboliu a existência de acento circunflexo nas palavras terminadas pelo hiato oo(s) e nas formas verbais com o hiato eem. Portanto NÃO são mais acentuadas palavras como voo(s), enjoo(s), abençoo, perdoo, creem, deem, leem, veem, releem.
  • A nova reforma ortográfica aboliu o uso do trema, mas a pronúncia das palavras que recebiam tal indicação gráfica não sofrerá alteração. Portanto NÃO recebem mais trema palavras como linguiça, cinquenta, pinguim, delinquente e tranquilo.
  • Alguns problemas de acentuação devem-se a vícios de fala ou pronúncia inadequada de algumas palavras.
  • Nos nomes compostos, considera-se a tonicidade da última palavra para efeito de classificação. As demais palavras que constituem o nome composto são ditas átonas.

Ex.: couve-flor – oxítona, arco-íris – paroxítona

  • Os pronomes oblíquos átonos o/a/os/as podem transformar-se em lo/la/los/las ou no/na/nos/nas em função da terminação verbal. Quando os verbos terminam por R/S/Z ou no caso de mesóclise (R), geram acentuação se a forma verbal (sem o pronome) tiver seu acento justificado por alguma regra.

Ex.: comprá-la, vendê-los, substituí-lo, comprá-la-íamos ≠ parti-los

   
   

6. Reforma ortográfica de 2008

A proposta de unificação ortográfica tem por principal objetivo facilitar o intercâmbio cultural e político entre as oito comunidades falantes de língua portuguesa no mundo. Como as línguas não são estáticas no tempo e no espaço, há a necessidade de rever os princípios que regem o funcionamento lingüístico, a fim de não gerar um afastamento muito grande entre a teoria e o uso do idioma.

Na próxima reforma, o que se estará implementando é um conjunto de princípios ortográficos, mas pode ser também uma boa oportunidade para se discutir mais questões referentes ao idioma. Vários especialistas na área de língua portuguesa já apontaram a necessidade de discutir o chamado „preconceito lingüístico“ que torna muitos falantes „analfabetos“ em sua própria língua quando se trata do uso do chamado registro „culto“. Ainda que não sejam profundas alterações, a reforma ortográfica já abre um bom precedente para essa discussão.

O esclarecimento à população, entretanto, não está sendo feito a contento e a maioria dos falantes nem sabe quais serão as mudanças propostas. Os próprios professores de Língua Portuguesa desconhecem o teor da reforma e muito se ouvem versões equivocadas de quais sejam os princípios mudados.

Podemos observar alguns itens dessa reforma para exemplificar: a retirada de letras de algumas palavras na versão portuguesa da língua também auxilia na leitura de textos escritos intercambiados entre países: baptismo vira batismo, adopção vira adoção e húmido vira úmido. A inclusão de „k“, „w“ e „y“ no alfabeto, que passa a ter oficialmente 26 letras, apenas reconhece o que de fato já ocorre. Vários nomes próprios registram essas letras, além das versões em português do editor de textos mais usado no Brasil (Word – Microsoft), que dispõem de mecanismos de inclusão automática de tais letras.

Todo processo de mudança está atrelado a um tempo de adaptação e a um ônus. Por isso, a resistividade a quaisquer mudanças é natural. Obviamente, essas alterações implicarão custos com edição de dicionários, reestruturação em gramáticas e programas de revisão ortográfica, além de todos os livros que nos rodeiam. Já passamos por um processo parecido em 1971, quando a última reforma ortográfica foi implantada no Brasil. Estamos, hoje, prontos para novas mudanças em respeito à vitalidade de qualquer idioma.

Enquanto professora de Língua Portuguesa, acredito que precisamos informar a todos os falantes sobre as mudanças e garantir um tempo de adaptação.

De uma maneira geral, algumas alterações são mais relevantes para Portugal que para o Brasil, como é o caso da supressão de letras. Em outros casos, as novas regras podem ser pouco chocantes para os usuários brasileiros, como é a retirada do trema.

A informação deve chegar, prioritariamente, aos professores de Português para que possam ser multiplicadores para seus alunos em processo de escolarização. Para os alunos, é fundamental, além de ensinar os novos princípios, explicar os motivos das alterações e deixar clara a finalidade das mudanças. A partir do momento que se entende a dimensão da reforma em nível mundial, pode-se empreender um esforço para conhecer novos princípios lingüísticos.

Há que se considerar que os alunos ainda em processo de escolarização são falantes privilegiados porque podem conhecer primeiro e melhor a reforma. Muitas vezes, os próprios estudantes são agentes difusores das mudanças no referencial de cultura de uma nação.

Fonética da lingua portuguesa

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1.1. Fonema e letra

A palavra falada constitui-se de uma combinação de unidades mínimas de som (fonemas). Essas unidades sonoras são representadas graficamente na escrita através de letras. Não se deve confundir fonema com letra. Um é o elemento acústico, enquanto o outro é um sinal gráfico, que representa o fonema segundo a convenção da língua.

Nem sempre há uma correspondência entre letra e som. Uma mesma letra pode representar sons diferenciados (próximo, exame, caixa), existem letras diferentes correspondendo ao mesmo som (seco, cedo, laço, próximo), uma letra pode representar mais de um som (fixo), há letra que não tem som algum (hora) e certos sons ora são representados por uma só letra, ora por duas (xícara/chinelo, gato/guitarra, rabo/carro).

fonema = menor elemento sonoro capaz de estabelecer distinção de significado.

(pata ≠ bata ≠ mata ≠ nata …)

1.2. Tipos de fonemas

  • vogal – sons cuja produção não encontra obstáculos para a passagem de ar. Não precisam de amparo de outro fonema para serem emitidos, constituem assim a base da sílaba. Em quilo o u não é fonema, logo não há ditongo; já em quatro é pronunciado, constituindo o ditongo.
  • semivogal – sons i e u quando apoiados em uma vogal autêntica na mesma sílaba. Os fonemas e e o, nas mesmas circunstâncias, também serão semivogais.
  • consoante – fonemas produzidos através da obstrução à emissão de ar, precisando de uma vogal para serem emitidos. Para haver consoante, é necessário o fonema (som) e não a letra (representação). Em fixo, há três fonemas consonantais, apesar de haver graficamente só duas consoantes.

1.3. Classificação dos fonemas

Há quatro os critérios de classificação para as vogais:

  • zona de articulação
    • média ou central: a
    • anteriores ou palatais: é, ê, i
    • posteriores ou velares: ó, ô, u
  • intensidade
    • tônicas: mais intensidade
    • átonas: intensidade fraca
    • a vogal átona pode ser: pretônica, postônica ou subtônica / facilmente = a (subton.), i (preton.), último e (poston.)
  • timbre
    • abertas – a, é, ó (em sílaba tônica ou subtônica)
    • fechadas – ê, ô, i, u (em sílabas tônicas, subtônicas ou átonas)
    • reduzidas – vogais átonas finais, proferidas fracamente
  • papel das cavidades bucal e nasal
    • orais – a, é, ê, i, ó, ô, u – ressonância apenas da boca
    • nasais – todas as vogais nasalisadas – ressonância em parte da cavidade nasal. Índices de nasalidade: ~ e m ou n em fim de sílaba.
Observação
as vogais nasais são sempre fechadas

As consoantes também apresentam quatro critérios de classificação

  • modo de articulação
    • oclusivas – corrente de ar encontra na boca obstáculo total – p, b, t, d, c(=k) e q, g (=guê)
    • constritivas – corrente de ar encontra obstáculo parcial na boca – f, v, s, z, x, j, l, lh, r, rr. Elas subdividem-se em: fricativas – f, v, s, z, x, j / laterais – l, lh / vibrantes – r, rr
Observação
as consoantes nasais (m, n, nh) são ponto de divergência entre gramáticos, no tocante a agrupá-las como oclusivas ou constritivas. Isso se deve ao fato de a oclusão ser apenas bucal, chegando o ar às fossas nasais onde ressoa. Para Faraco e Moura, são oclusivas. Hildebrando não as coloca em nenhum dos dois grupos.
  • ponto de articulação
    • bilabiais – p, b, m
    • labiodentais – f, v
    • linguodentais – t, d, n
    • alveolares – s, z, l, r
    • palatais – x, j, lh, nh
    • velares – c(=k), qu, g (=guê), rr
  • papel das cordas vocais
    • surdas – sem vibração – p, t, c(=k), qu, f, s, x
    • sonoras – com vibração – b, d, g, v, z, j, l, lh, m, n, nh, r (fraca), rr (forte)
  • papel das cavidades bucal e nasal
    • nasais – m, n, nh
    • orais – todas as outras

1.4. Resumo da classificação das consoantes

1.5. Separação silábica

Sílaba – conjunto de sons que pode ser emitido numa só expiração. Pode ser aberta ou fechada se terminada por vogal ou consoante, respectivamente.

Na estrutura da sílaba existe, necessariamente, uma vogal, à qual se juntam, ou não, semivogais e/ou consoantes. Assim, não há sílaba sem vogal e esse é o único fonema que, sozinho, forma sílaba.

A maneira mais fácil para separar as sílabas é pronunciar a palavra lentamente, de forma melódica.

Toda consoante precedida de vogal forma sílaba com a vogal seguinte. Merece a lembrança de que m e n podem ser índices de nasalização da vogal anterior, acompanhando-a na sílaba. (ja-ne-la, su-bu-ma-no, é-ti-co, tran-sa-ma-zô-ni-ca; mas bom-ba, sen-ti-do)

Consoante inicial não seguida de vogal fica na sílaba seguinte (pneu-má-ti-co, mne-mô-ni-co). Se a consoante não seguida de vogal estiver dentro do vocábulo, ela fica na sílaba precedente (ap-to, rit-mo).

Os ditongos e tritongos não se separam, porém no hiato cada vogal está numa sílaba diferente.

Os dígrafos do h e do u também são inseparáveis, os demais devem ser separados. (cha-ve, ne-nhum, a-qui-lo, se-gue)

Em geral, os grupos consonantais onde a segunda letra é l ou r não se separam. (bra-ço, a-tle-ta)

Em sufixos terminados por consoante + palavra iniciada por vogal, há união dessa consoante final com a vogal, não se considerando a integridade do elemento mórfico (bi-sa-vô ≠ bis-ne-to, tran-sa-cio-nal ≠ trans-pa-ren-te).

As letras duplas e os encontros consonantais pronunciados disjuntamente devem ser separados. (oc-cip-tal, ca-a-tin-ga, ad-vo-ga-do, dig-no, sub-li-nhar, ab-ro-gar, ab-rup-to)

Na translineação, devem-se evitar separações que resultem no fim de uma linha ou no início da outra vogais isoladas ou termos grosseiros. (i//déi//a, cus//toso, puta//tivo, fede//ral)

Dependendo da quantidade de sílabas, as palavras podem ser classificadas em: monossílaba (mono = um), dissílaba (di = dois), trissílaba (tri = três) e polissílaba (poli = vários / + de quatro)

1.6. Encontro vocálico

Seqüência de sons vocálicos (vogais e/ou semivogais) que pode ocorrer numa mesma sílaba ou em sílabas separadas. As vogais serão as pronunciadas mais fortes, enquanto as semivogais serão mais fracas na emissão e sempre átonas. São três tipos de encontros vocálicos: hiatos, ditongos e tritongos.

  • hiatos

seqüência de duas vogais em sílabas diferentes. (saúde, cooperar, ruim, crêem)

  • ditongos

vogal e semivogal pronunciadas numa só sílaba, independente da ordem destas. Estes podem ser classificados em decrescentes ou crescentes e orais ou nasais.

  • dit. crescente – SV + V (glória, qual, freqüente, tênue)
  • dit. decrescente – V + SV (pai, chapéu, muito, mãe)
  • dit. nasal – com índices claros de nasalidade: a presença de ~ e as letras m ou n em fim de sílaba (mão, quando, também [~ei])
  • dit. oral – os ditongos não nasais são ditos orais.
  • tritongos

uma vogal entre duas semivogais numa só sílaba. (Uruguai, saguões, enxaguou, delinqüem [ueim])

Também podem ser classificados em nasais ou orais, seguindo os mesmos princípios dos ditongos.

Observações
  • a é sempre vogal e se estiver acompanhada de outra(s) „vogal“ na mesma sílaba, esta será semivogal.
  • i e u geralmente funcionam como semivogais, mas e e o podem também desempenhar este papel.
  • am / em, em fim de palavra, correspondem aos ditongos ao / ei nasalisados
  • falsos ditongos – quando átonos finais, os encontros (ia, ie, io, oa e ua) são normalmente ditongos crescentes, mas também podem ser hiatos. Se esses grupos não forem finais nem átonos, só podem ser hiatos. (his-tó-ria ou ri-a, geo-gra-fi-a, di-e-ta, di-á-li-se, pi-ru-á – marcadas as sílabas tônicas).
  • encontros instáveis – além dos falsos ditongos, são os encontros de i ou u (átonos) com a vogal seguinte (piaga, fel, prior, muar, suor, crueldade, violento, persuadir). Tais encontros, na fala do RJ, tendem a hiatos, segundo Rocha Lima.
  • os encontros de palavras como praia, maio, feio, goiaba e baleia são separados de forma a criar um ditongo e uma vogal sozinha depois.

1.7. Encontro consonantal

Seqüência de duas ou mais consoantes, sem vogal intermediária, desde que não constituam dígrafo. Podem ocorrer na mesma sílaba ou não (perfeitos/próprios ou imperfeitos/impróprios) – pe-dra, cla-ro, por-ta, lis-ta.

Os encontros (gn, mn, pn, ps, pt e tm) não são muito comuns. Quando iniciais, são inseparáveis. Quando mediais, criam uma pronúncia mais difícil. (gnomo/digno, ptialina/apto). No uso coloquial, há uma tendência a destruir esse encontro, inserindo uma vogal epentética i.

Observação
quando x corresponde a cs, há um encontro consonantal fonético. Nesse caso, x é chamado de dífono.

1.8. Dígrafo

Grupo de duas letras, representando um só fonema. São dígrafos em língua portuguesa: lh, nh, ch, rr, ss, qu (+e ou i), gu (+e ou i), sc, sç, xc, além das vogais nasais (V+m ou n – chamados dígrafos vocálicos)

Observações
letra diacrítica – segunda letra do dígrafo e não é fonema (membro – 1º m é fonema; o segundo, letra diacrítica). Letra h no início de palavra não é fonema nem forma dígrafo e classifica-se como letra etimológica.